domingo, 1 de agosto de 2010

crônica 1

A partir de hoje
todo domingo o Dm Revista publicará
uma crônica minha.

Extréio com essa bagaça aqui:



Crônica do criolo doido:
Stanislaw,padre Peclat e eu.



Olá leitor amigo (a). Sou o Dieguito “de Goiais” – cantor, compositor, professor, contador de lorota, chargista e eticétara e tal. Enfim, uma espécie de “servente”. Tento enfrentar e servir a qualquer empreitada que pintar. Um “pau pra toda obra” a seu dispor...

Fred Leão (do DM) me pediu uma crônica. Muito feliz, e desesperado simultâneamente, com a encomenda, matutei vários temas pra crônica (gênero totalmente “perna aberta” que transita entre jornalismo e literatura). Pro pontapé inicial, decidi falar de minha devoção a um dos maiores cronistas desse país – o humorista Stanislaw Ponte Preta (alter ego de Sérgio Porto).

Tornei-me um leitor obsessivo desse camarada no “antigo” ginásio (jesuis tô ficando véi!) na saudosa Escola São Francisco de Assis, em Senador Canedo. A irmã Sueli passou uma coletânea do Stanislaw, que fez minha cabeça. Barato do bom, sem contra-indicação!

Durante o recreio, quando eu não tava atuando enquanto “gandula” e nem observando as meninas com minha mente onanista (só observando pois na época, eu, eleito “o cara mais feio da escola”, ainda não era um “galã” do rock nacional - hehe), dava uma de rato de biblioteca.

Ali lia o lalau. Histórias hilárias injetavam ironia na minha mente pueril. Eu, que era só um leitor do Pentateuco, começava a me especializar no “jeitinho brazuca” de levar (n)a vida.

Stanislaw marcou o linguajar do povo (como ao chamar a TV de “máquina de fazer doido”), compôs o Samba do Criolo Doido (tem no youtube!) e unindo piada com reflexão,no pós-golpe de 64, ironizou aquela situação kafkiana, com maestria, ao apresentar o Festival de besteira que Assola o País (o Febeapá). Aspas pro gênio:

“É difícil ao historiador precisar o dia em que o Festival de Besteira começou a assolar o País. Pouco depois da ‘redentora’, cocorocas de diversas classes sociais e algumas autoridades que geralmente se dizem ‘otoridades’, sentindo a oportunidade de aparecer, já que a ‘redentora’, entre outras coisas, incentivou a política do dedurismo (corruptela do dedo-durismo, isto é, a arte de apontar com o dedo um colega, um vizinho, o próximo enfim, como corrupto ou subversivo – alguns apontavam dois dedos duros, para ambas as coisas), iniciaram essa feia prática, advindo daí cada besteira que eu vou te contar.”

Daí segue uma seqüência de casos esdrúxulos como o do DOPS invadir o Teatro Municipal de Sampa na estréia da peça Electra, para prender o “subversivo” Sófocles, falecido em 406 a.C.

Entre os vários casos do Febeapá me surpreendi ao ler sobre o padre Peclat de Senador Canedo na crônica Deu mãozinha no milagre – que une Lalau, Peclat e eu.

Pois moro na rua Pe. Peclat, no lote que mamãe comprou das mãos do próprio padre “santo do pau oco” que fez a santa chorar e que, segundo as más línguas, aprontava debaixo da batina, iniciando sexualmente muitos garotos. De batina preta ele vendia lotes num casarão em frente a igreja, onde moravam as chamadas “mulheres do padre” (entre elas, uma apelidada Maria Perereca) – mas isso não entrou no texto do Ponte Preta.

Stanislaw se ligava no que acontecia pelo país. Imagina o que ele aprontaria na “era do twitter”!

E pensar que conheci Stanislaw em uma escola de freiras... e hoje, sambo feito um Criolo doido vendo a continuidade do Febeapá nesse ano eleitoral.

2 comentários:

Kaio Bruno disse...

Dieguito, sempre surpreendendo!

Juliana disse...

Há, Stanislaw!
Este eu conheci já na facul Dieguito, mais especificamento nos arquivos, mexendo naquelas revistas velhas que eu estudava. "Ele" sempre estava lá, nas últimas páginas, "atrapalhando" o andamento do meu trabalho. Era difícil mesmo pular essas páginas sem ler. Foda!

Parabéns pela coluna no DM, pelo lance da +Soma... sucesso sempre pra vc!