domingo, 5 de junho de 2011

Poesia e música na ponte entre a cidade de Goiás e Itaberaí

Arte de Kleuber Garcês



Manhã do domingo passado (29/05), Cidade de Goiás: lá estava eu com meus parceiros do “Projeto Mascate: poesia e música” (Camila Leite, Kleuber Garcês, Thiago Oliveira e Nathalia Gomes), realizando o sarau de conclusão de nossa passagem por aquela linda urbe histórica. Dialogavamos com o professor de história Paulo Brito, que nos contava, com paixão e conhecimento, sobre a poetisa Cora Coralina. Paulo dava uma aula que nos entusiasmava com o conhecimento vivo que proferia para nós e para seus alunos ali presentes. De repente, somos surpreendidos com a chegada a professora Creuza Arrais com sua “trupe” (o maridão José Ângelo e os apaixonados por arte, Ângelo Machado e Marcelo Fecundo, do Grupo teatral Barracão), que foram iluminar, ainda mais, aquela manhã. Esse pessoal – Creuza e companhia – formou nosso “quartel general poético” quando passamos por Itaberaí, no mês de abril. Pois bem, continuamos a prosa, cantando e recitando versos, impressionados com as boas surpresas que a vida nos traz. Creuza cantando poesia, “com o acompanhamento das águas da cachoeirinha e corredeiras do Rio Vermelho, sob um solzinho manhoso e acariciada pela brisa refrescante”, nos ajudava a construir uma “ponte poética”. Emocionante.
Mais pessoas que participaram com a gente em Itaberaí foram na “sessão Goiás do Projeto Mascate”, no sábado (28), quando eu e meu parceiro (da banda Pó de Ser) Kleuber palestramos sobre a história da música brasileira, ressaltando a Poesia na Canção Popular  - pensando a Canção enquanto relação entre melodia e letra, forma e conteúdo – acompanhados por um som de vinil. Como observou o Kleuber: foram quase 4 horas de palestra e ninguem arredou o pé. No público tinha gente de 11 a 70 anos. O senhor José Bueno, que foi levar seu neto, Diego, nos disse: “Poxa! Bom demais! Quase que vocês matam o véi quando passaram o Vandré nesse vinil!” Terminamos a palestra satisfeitos, pois conseguimos “amarrar” um argumento sobre a música brasileira, enquanto expressão da histórica: passando pela bossa-nova, a música de protesto, a era dos festivais e a Tropicália. No fim, Camila Leite comentou sobre a “Poesia Marginal” dos anos 70, fechando sua fala com o clássico “Lero Lero”, canção de Cacaso e Edu Lobo, que sintetizava muito do que tratávamos, naquele sábado.
Após a palestra, ainda no sábado, na praça de eventos, tiveram uma sequencia de shows: a banda Candieiro, Renata Caetano (artistas da própria cidade), Fernando Simplista e Bruno Moraes, Pó de Ser (banda que eu mais o Kleuber integramos) e outras apresentações. Unindo teoria e prática, o Projeto Mascate, apoiado pela Bolsa de Circulação Literária da Funarte, visa desenvolver reflexões sobre a Canção e a relação entre poesia-música e, também, incentivar a leitura, a valorização do ofício do compositor e, principalmente, o fazer poético (assim, todos os poemas apresentados no sarau serão publicados em um livro e alguns serão musicados). Nesse conjunto de atividades, sinto que o grande show mesmo foi o encontro de pessoas que fazem de suas vidas um belo poema – uma “obra aberta”.
Boa semana com poesia e música na vida de vocês. Já vamos nos preparando, pois semana que vem: dia dos namorados... E prossigamos na “dança da canção incerta” que é a vida! Ah, lá em Goiás tive a feliz notícia que voltarei para tocar no Fica! Nos vemos lá? Que tal mais “mascateação” de poesia e canção, hein? ;)

[publicado no jornal Diário da Manhã]

3 comentários:

MINADAGUA disse...

O bom desse projeto (além da convivência) é ver na cara de cada pessoa interessada a descoberta de um novo (velho) mundo, de poesia e som, o quanto eu aprendo enquanto ensino o pouco que sei, mas acima de tudo a "paixão" na qual a gente desenvolve esses laços. Ja deu bons frutos meu caro, parabens!

Creuza disse...

Que carinho, Dieguito!!! Estou lisonjeada e muito grata. Além da beleza do projeto, do movimento que vocês fazem por onde passam, ele é, realmente, ponte! Ele nos trouxe você e todos os demais mascateiros. Obrigada por fazer parte de minha vida e permitir que eu também invada a sua (de vocês)! Até o FICA, garoto!
Bjos
Creuza arrais

Ramon disse...

Ôooo arrependimento de não ter largado tudo e ido pra Goiás... Que projeto fantástico parabéns a todos os envolvidos!