domingo, 28 de novembro de 2010

O Rio de Janeiro continua lindo

Alô? Seu Antônio? Como o senhor tá?

Aqui eu vou “empurrando” (como o senhor diz... não rola de ir “levando”, né?). Tô ligando pra saber notícias daí, de vocês. Fiquei muito preocupado ao ver no jornal que aí no Rio a coisa tá, literalmente, pegando fogo! Me preocupei, pois lembrei da dona Rita acordando às 5 da matina, pra evitar congestionamento no ônibus, a caminho do trabalho.

E essa violência por causa da “pacificação”... esses incêndios todos... será que é, realmente, uma situação temporária, de transição? E os inocentes, vítimas desse cenário de guerra, que não aparecem na mídia? Será que esse terror é apenas temor dos traficantes perdendo o poder; ou é só o Estado afirmando seu “monopólio da violência”? Se, antes, o senhor já não gostava de sair de casa... imagina agora, nesse momento de pânico nas ruas... o senhor deve estar pensando: “Ih, caramba!” Torço pra que esta situação, caótica, se resolva ou amenize, logo. Como canta Jorge Ben naquela canção: “eu vou torcer pela paz, pela alegria, pelo amor, pelas moças bonitas eu vou torcer, eu vou”. Assim como também fico aqui torcendo pra que o senhor ganhe na loteria, com aquele mesmo jogo (a sua “poupança”) que o senhor joga desde 1985.

O senhor, que é avô do meu amigo Erick, me recebeu muito bem nas férias de julho, quando estive aí em Belford Roxo (a comunidade com mais igrejas no Brasil!). Aliás, além de mim, também recebeu meus amigos, Thiagão e Nathália, mais a minha namorada, Camila. E nos tratou como se fôssemos seus netos. Lembro do senhor acordando às 5 pra fazer o café pra gente. Também lembro de quando chegávamos, à noite, da faculdade; e o senhor mais a dona Rita nos esperava pra janta, jogando baralho. “Não precisavam se incomodar”, dizíamos; mas fizeram questão de tratar-nos bem, com alegria, com seus sorrisos espontâneos, verdadeiros. Eu nem sei como agradecer! Não esqueço o que o senhor disse pro Thiagão: “se é amigo do meu neto... então também é meu amigo”. Não sei quem foi que disse que os nossos amigos formam a família que podemos escolher. Pra mim, é uma grande honra ser seu amigo!

E a dona Rita? Como vai? Ela é um exemplo de uma mulher guerreira! Vou mandar, pelo correio, umas caricaturas pra coleção de charges do Chico Caruso, que ela faz dos recortes de jornal. Não me esqueço dela colocando na vitrola os vinis do grande Paulo Sérgio. Vocês dois formam o casal mais lindo que já vi, viu? Não me esqueço daquele peixe que o senhor preparou pra gente. Não me esqueço das prosas, das suas piadas e do seu jeito único de contar histórias. Sem dúvida, a melhor parte desta viagem foi a das nossas prosas, seu Antônio.

Quando estive aí, em julho, foi por causa de um congresso da faculdade e pra recolher documentos da minha pesquisa, sobre um filósofo brasileiro, o Álvaro Vieira Pinto. Para este pensador o diálogo é condição existencial da realidade humana, que dele precisa pra se fazer a si mesma, e de exercê-lo no âmbito comunitário, com interlocutores reais e sobre temas objetivos. Vieira Pinto dizia que o homem não existe sem a comunicação que constitui pra a sua consciência meio indispensável à compreensão da objetividade. E ainda completava que só no âmbito da comunicação existencial é que a prática se torna fundamento da verdade, pois não é na experiência pessoal isolada, mas na experiência enquanto compartilhada com outro, que se estatui o vínculo de conhecimento entre o pensar e o ser.

Desta forma, aprendemos mais na casa do senhor, dialogando, ouvindo sobre sua experiência de vida, com seu exemplo de humanidade, com seu bom humor pra enfrentar as adversidades da vida; do que com a burocracia dos procedimentos acadêmicos. A sua residência foi um espaço muito mais instrutivo, e instigante, do que o congresso universitário. Bem que o Erick diz: “meu único ídolo é o meu avô”. Preciso dizer pra ele: “seu avô é um grande professor... e um pensador!”

Estamos esperando o senhor aqui, pro senhor conhecer seu neto John – meu afilhado. Ele tá lindão e mês que vem já faz 2 anos. Logo, logo, vai estar abalando o coração da mulherada! Eu, o Erick e o Thiagão estamos te esperando aqui, pra jogarmos um baralho, tomarmos umas brejas (ou “lambermos uma gelada”, como o senhor diz) e rirmos da vida. E torço pra que o Rio de Janeiro continue lindo, indo... rindo!

Opa! Meu cartão tá acabando. Fica com Deus também... Aquele abraço!



(publicado no jornal Diário da Manhã)

Um comentário:

fernando disse...

Que declaração bonita Madrugadão!!! Lembrei de Seu Antônio perfeitamente. E que sugestão: Paulo Sérgio!

abs À ELE e VC.