domingo, 17 de abril de 2011

Mascate & Os Seus Cometas - no país dos baurus
























[ilustração: Kleuber Garcêz]


Há muitos anos atrás (bota muito nisso, já que nesse tempo violento do twitter: meses parecem anos!), quando eu era jovem, toquei bateria numa banda de rock do Canedão do meu coração, chamada Nóia Catódica. O ano devia ser 2001 e eu estava por volta dos meus 15 anos. Tentando entender a vida (pois papai já havia passado dessa pra outra esfera e, assim, o tema da morte tornara-se uma inquietação constante na minha cabeça de aborrecente), vivia lendo a Bíblia de cabo a rabo (sim, sei que preciso re-ler para re-interpretar as parábolas, porque, na época, eu não era “virgem” apenas no signo, mas também na “cabeça”...) e já começava a grilar com os fariseus ao redor (sempre existem muitos deles por aí – principalmente nesses nossos tempos tuiteiros de tanta hipocrisia transvertida de “politicamente correto” – né não?). Então. Foi nesse período da minha vida que o pessoal da banda Nóia me apelidou de “Mascate” – o Nick, o vocalista, sugeriu e o Joãozinho, o baixinho baixista, batizou. Era um apelido que ficou restrito àquele ambiente, daquelas pessoas, que viam no Keith-Moon-em-potencial que eu era: semelhanças com um legítimo vendedor de panelas que bate de porta em porta (logo eu que só “batia” escondido atrás da porta!). Sabe aqueles apelidos que registram uma experiência no mundo, uma intimidade em um circuito de amizades? Pois é, eu era o Mascate.

Anos depois, lendo nos anais da História, vim a descobrir que os mascates, mais do que meros comerciantes de trenheiras, eram também “links ambulantes”, pois levavam informações, percorrendo o sertão, vendendo um pouco de tudo. Como diz o professor João Alberto: “atrás de cada mercadoria tinha todo um mundo”. Minha mãe lembra que, quando ela era menina, na fazendinha de meu avô, era um motivo de festa na vizinhança, quando chegava com suas novidades e mala na mão, a figura do mascate. Às vezes ele era motivo de piada, mas não se importava e prosseguia em sua caminhada. Em alguns lugares do interior, esse mercador, comumente um turco, era apelidado de “cometa”.

Metido a besta que sou, relacionei o antigo apelido com o que o que me tornei na vida (metido a besta que sou). “Tem dias que a gente se sente como quem partiu” e, nesses dias, me sinto um mascate de idéias, um andarilho, um nowhere man (“Eu Queria Ser John Lennon” ... mas essa é outra história, do goiano Odair José). No próximo “domingão do Diegão”, continuarei tentando vender meu peixe, narrando sobre o tipo de material que mascateio – no que tange à relação entre ‘poesia e música’, em particular. Não percam as cenas dos próximos capítulos: aqui mesmo nesse canal ou lá no meu twitter: @diego_de_moraes . Beijo do magro! Partiu.



[publicado no jornal Diário da Manhã]

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Diego e O Sindicato + Gloom no Ibirapuera - vídeo saindo do forno!

O pessoal do Ibirapuera ( @audibira ) acabou de postar esse vídeo
do nosso show lá em Sampa no mês de janeiro, no "Brasil Central Música",
espia só:


ó a goianada + o Pena Schmidt em frente ao Ibiras

terça-feira, 12 de abril de 2011

Vídeos no Goiânia Canto de Ouro desse ano!

Escrevi lá no DM sobre a "vitrine de encontros"
que o Goiânia Canto de Ouro é.
"Celebrando a vida", fiquei feliz pelo Kleuber, meu parceiro de Pó de Ser, ter escrito
no blog dele a respeito do 9º elenco da 4ª Edição dessa mostra:


Hoje tava reparando que ainda não postei aqui os vídeos que já tão rolando aí na net.
As coisas estão corridas (entre tantos trampos e trélas!)...
E, quando estou no mundo virtual, o twitter e o facebook acabam me sequestrando desse espaço-BLOG.
Outro dia o @aiturrusgarai até tuitou:
"Minha filha vai dizer daqui a uns 2 anos:
-Papai era do tempo do BLOG!"
Bom. Deixando a prosa de lado... vai aí alguns vídeos:
Divulguem pra família brasileira, pessoal!!!!



+ Cristiane Perné
cantando uma 'inédita' minha e do Kleuber:
A DANÇA DA CANÇÃO INCERTA



+ Fernando Simplista,
sem "medo de falar e errar",
cantamos uma do "Parte de Nós" do Sindicato:
QUASE NADA




+ o Kleuber
apresentando uma amostra do
CUIDADO
do Pó de Ser:



+ Sérgio Pato:
mandando uma das minhas "véias inéditas"
MENTIRA
(Sacanagem... me apelidaram, nos bastidores, de "Marrequinho" - hehe)


+ Beto Cupertino, dos venerados Violins,
lembrando a mensagem do mestre Lobão:
A VIDA É DOCE




domingo, 10 de abril de 2011

Doutor Hélio: um restaurador de móveis, memórias e sonhos

Thiagão, Dr. Hélio e eu


Dr. Hélio Caldas Pinheiro é um advogado itaberino, que freqüentemente usa sua criatividade para restaurar móveis, durante a noite, em sua residência. Inclusive, muitos dos móveis do Museu Histórico de Itaberaí foram reformados por esse inquieto senhor, que se dedica a várias atividades, entre a advocacia, as ações de caridade kardecista e a escrita. Orgulhoso de seus filhos, todos formados, é um homem simples, educado, que tem a despretensão como uma de suas características, revelada, por exemplo, ao considerar a expressão “Doutor Hélio” apenas como um dos seus dois apelidos – o outro é “palestrante”. Diz, porém, que não faz “palestra”, mas, sim, proseia. Na última quinta-feira, tive o prazer de ter um “dedo de prosa” com ele, que começou tímido e depois, no decorrer da conversa, foi dizendo, com bom ânimo: “Procuro encher minha vida; se eu ficar à toa, fico louquim... Minha canção de ninar é a palavra cruzada”.

Além de restaurar móveis, Dr. Hélio também “restaura” memórias, através da fala e da escrita. Relata, em tom bem humorado, várias histórias engraçadas de seu tempo de menino travesso, relembradas em cada detalhe da casa que hoje é a sede da AILA (Academia Itaberina de Letras e Artes), fundada em 1993, e que integra a “Casa da Cultura Cel. João Caldas”. Cada canto desta casa lhe traz lembranças da sua infância, na década de 30. A casa, construída pelo seu avô, Cel. João Elias da Silva Caldas, em 1905, expõe e preserva livros e diversos objetos antigos doados – como uma palmatória de 1920, sons de vinil, um apontador de mesa da década de 60 e outras curiosidades interessantes – que evidenciam o espaço enquanto uma grande fonte de informação histórica, tanto da cidade de Itaberaí, quanto do Estado de Goiás.

Na parede, leio um cartaz: “Objetos do passado são memórias valiosas. Preserve-os!”. Dr. Hélio leva essa mensagem a sério e se esforça para preservar os objetos e as memórias a que eles remetem, como se poderá ver nos seus dois livros, prestes a serem lançados – um de memórias (“Memórias itaberinas”) e um de poesias (“Nas asas da imaginação”) –, e ainda pretende publicar outro livro memorialista, falando de quando morou em Goiânia, incluindo histórias de quando estudou no Liceu. Narrador talentoso, de olhar lírico, Dr. Hélio conta sobre seu passado com vivacidade, levando o interlocutor a imaginar as situações relatadas. Dessa forma, sua imaginação não só “restaura” móveis e memórias; também “restaura” sonhos, com seu exemplo de inquietação, de atitude, em seus mais de 80 anos. Não só dá um depoimento sobre o passado, mas dá um recado para o presente, com o exemplo de sua própria ação no mundo, com essa sua energia para viver e fazer suas coisas, sem se acomodar, demonstrando ser um ser humano motivador, inspirador – isso em um simples “dedo de prosa”. Assim segue o Dr. Hélio, restaurando móveis, memórias e sonhos.

[publicado no Jornal Diário da Manhã]

segunda-feira, 4 de abril de 2011

um email poético

Celso Moraes Faria

é um cara que não conheço pessoalmente;

mas nos conhecemos,

via nossa prosa por email,

uma das boas surpresas trazidas por publicar no DM.

A conversa começou no fim do ano passado,

quando ele entrou em contato, comentando a crônica sobre Assis Valente.

Pensei: "tá aí um cara raro, nos dias de hoje"...

Compartilhamos, além do sobrenome e do difícil ofício de professor,

a paixão pela leitura e pela filosofia.

Mês passado, ele me enviou um email emocionante,

sobre a crônica O amor é maior que a morte.

Um email sincero, acompanhado por esse texto dele,

muito bem construído, escrito em 1993,

que compartilho aqui, agora:




FAMILIARIDADE


Márcia, desde muito pequena,

tinha, talvez por hábito,

talvez por coisa determinada (por quem?...),

tocar, mesmo que de leve, os mortos,

em todos os velórios nos quais porventura marcasse presença.

Nem que fosse um brando toque com a ponta do dedo sutil,

era quase necessário,

era quase um ritual.

Fosse na testa fria,

ou na face tão gelada,

ou no par de mãos crispadas,

tinha que tocar o defunto, ou a visita não seria proveitosa

(quão proveitoso pode ser um velório?).

Márcia manteve o hábito até o fim da própria vida,

e quando esse fim chegou, num dia triste e chuvoso,

ela não se assustou ao ver a Dama de Preto.

Intrigada Márcia estava

com a coragem que ostentou,

mas a Morte, percebendo, à anciã explicou:

“Tocaste tanto os meus mortos,

que tomaste consciência,

através daqueles corpos,

de toda a minha essência.

E assim compreendeste

que horror algum advém

do meu toque, que é descanso

para aquele que é do Bem.

As pessoas não entendem,

por isso é que medo têm.

Tua ventura invulgar

não é para qualquer alguém.”

E assim, Márcia morreu em paz,

e teve a grande sorte:

pois, antes de ser tocada,

tocara mil vezes a morte.





Bom demais, né?

Na resposta eu disse: "cara, seu email é uma crônica!"

e agradeci o poema-conto, esti

mulando-o a fazer um blog
pra postar seus escritos com suas reflexões e criações.

Daí, outro dia, fiquei feliz ao receber outro email do Celso me passando

o link do blog dele: http://celso-moraes.zip.net/

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Um notável 1º de abril


“Posso não concordar com nenhuma de suas palavras, mas defenderei até a morte o direito que você tem de dizê-las”. Várias vezes já citei essa máxima do filósofo Voltaire, na sala de aula ou em debates que envolviam a defesa da liberdade de expressão. Outra que eu sempre lembrava, em tais situações, era a idéia do Raul: “Não tem certo, nem errado, todo mundo tem razão e o ponto de vista é que é o ponto da questão”. Mas a esdrúxula cena do “Boçalnaro” no CQC, me fez repensar essas duas frases emblemáticas. Luto, enquanto artista, pela liberdade, mas não posso defender, enquanto cidadão, a expressão de qualquer tipo de proposição, como as que ferem princípios democráticos, de respeito à diversidade e à liberdade de escolha individual. O artista e o cidadão estão juntos. A arte da cidadania envolve liberdade, sim, mas com limites: a minha termina onde começa a sua. Caso contrário, cairia num perigoso relativismo que justificaria tudo mais qualquer coisa. E aí entra um bloco de questões, como: até que ponto pode a democracia aceitar uma visão antidemocrática? Voltaire defenderia o direito de expressão contra o próprio direito de expressão? Todo mundo tem razão?

Lembro-me quando o Diomídio, um amigo meu de faculdade, questionava a historiografia “pós-moderna”, dizendo que o relativismo poderia ser usado como defesa do nazismo, uma “perspectiva”, já que “tudo é válido e a verdade é um ponto de vista”. Diomídio tem razão, nesse ponto: nem todo mundo tem razão. Se o sujeito acha o governo milico foi venerável, ok, uma opinião. Se ele discorda das cotas, mais uma visão. Se vê repudia a relação homossexual, outra opinião – partilhada por muita gente! – e o debate está posto. Do conflito dos argumentos chegamos a uma conclusão, a uma “verdade”. Eu, enquanto professor, convivo com o debate e vejo muitas pessoas “de bem” concordarem com várias assertivas defendidas por Bolsonaro, embora não explicitem, como ele fez, se mostrando pro país inteiro como caricatura ambulante e anacrônica – caricatura da visão de mundo que marchou pela TFP. Bolsonaro é só um exemplo grotesco de como o tipo de pensamento “reacionário” do pré-64 encontra defensores, ainda hoje. O nosso próprio Luiz Gama disse, em seu twitter, sobre o “deputado da família brasileira”: “O dep. Jair Bolsonaro está garantido por mais uns 5 mandatos como deputado federal. A maioria do eleitor brasileiro pensa igual o deputado.” Pensa igual? Então vamos “democratizar o nazismo”?

Essa cena do Boçal, caiu como uma luva pra começar uma semana em que relembraríamos daquele 1º de abril em que contaram uma grande mentira: a “revolução de 64”. Se você é pró-democracia e ficou incomodado diante do pastiche fascista, leia a “Petição em repúdio ao Deputado Jair Bolsonaro”, reflita e, caso concorde, assine ( http://www.peticaopublica.com ).

Falando de expressão democrática, aqui em Goiás, o último 1º de abril, foi eleito o “dia da verdade” por vários artistas e produtores culturais, que, levantando lemas como “arte é trabalho”, se manifestaram exigindo, do governo do Estado, o tratamento da cultura enquanto prioridade. Para se informar mais, sugiro a participação do Fórum Permanente de Cultura (Goiás), com página no facebook. Contrariando o coro retrógrado de figuras como Boçalnaro, os agentes da cultura daqui nos remetem a outros aspectos do pré-64, que merecem ser lembrados, tais como a perspectiva prospectiva, democrática e crítica.


[publicado no jornal Diário da Manhã]

sábado, 26 de março de 2011

Diga: 15 discos em 15 minutos, por favor!

Recebi um email cordial do jornalista Carlos Eduardo Pinheiro
me pedindo uma lista de 15 discos importantes, pra mim,
- em 15 minutos ! -
pra ser publicada na coluna "jogo dos 15 discos"
do jornal Diário da Manhã.
Massa, né?

A respeito desse mesmo jogo:
esses dias parabenizei o poeta Marcos Caiado pela lista dele
e ele respondeu, via twitter, que
em 15 minutos não dá pra caprichar muito na caligrafia.

Então.
Rascunhei rápido e enviei - essa é a estratégia do jogo.
Depois lembrei
como esses discos foram importantes na minha vida,
como foram "portas" pra outros discos...
outros,
fundamentais, que faltaram,
por falta de espaço.

Cada disco é um percurso,
é um momento
que vai
e vem.

Ou,
como meu brother Danislau diz:
"cada disco é como se fosse um cara".

Bom.
Daqui 15 dias faço um post sobre isso novamente, ok?

Por ora, clique na lista que foi:
E pra você?
Qual é a sua lista?
Por quais caminhos andou
pra chegar até aqui?

domingo, 20 de março de 2011

PÓ DE SER na PRAÇA CRIATIVA (Senador Canedo)!


Hoje...
1° ROCKRIATIVO
- Senador Canedo
DE GRAÇA!
Local: Praça Criativa (próximo ao terminal)
Horário: a partir das 18 hs

Bandas:
* PÓ DE SER
* THARKAN
* DYATRYB
* SOLE PLACE
* INVERSUSS
* LUST FOR SEXXX

Organização: Jorge Ribeiro (Jornal O Pequi)

quarta-feira, 16 de março de 2011

9º elenco da 4ª Edição do Goiânia Canto de Ouro!!!

Olá!
Nesse fim de semana (quinta, sexta e sábado),
tocarei na 4ª Edição do Goiânia Canto de Ouro,
juntamente com Horton Macedo, Cristiane Perné e Beto Cupertino!
Estou muito feliz de poder participar desse evento emblemático para a música produzida em Goiás! Participo desde a 1ª edição!
Vamos?
Marque sua presença lá no facebook:


4ª Edição do Goiânia Canto de Ouro
Horton Macedo, Beto Cupertino, Cristiane Perné e Diego de Moraes.
Data: 17, 18 e 19 de março de 2011 (quinta, sexta e sábado)
Horário: 21h
Local: Goiânia Ouro - Teatro
Endereço: Rua 3, esquina da Rua 9, Centro
Ingressos: R$ 12,00 (inteira) e R$ 6,00 (meia)
Participe do sorteio de ingressos no Twitter Oficial do Goiânia Ouro

segunda-feira, 14 de março de 2011

tinta guache

de tinta guache
pintei
meu caminho gauche
torto
por aí
sem porto,
norte,
vivo
rumo à morte
risco e rabisco
tento e aguento
insisto
em rir e colorir

de linha rota
criei
minha pipa leve
solta
por aí
sem porto
sorte
vôo
sul a norte
cisco e arrisco
solto pelo vento
insisto
em ir e colorir


Diego de Moraes / Carlos Brandão
em setembro de 2010
de uma prosa por email

segunda-feira, 7 de março de 2011

Em Síntese (Diego e Simplista)

dois amigos
um sábado qualquer
uma tarde informal
um violão
(mais um momento único captado por @ksnirbaks )

Em Síntese
(Diego de Moraes)

o tempo todo tento
todo o tempo, atento
calado sinto, quem cala consente
ando pensando, penso andando
vou com calma
em síntese
não sei resumir

e quanto mais conheço
menos me entendo
não compreendo bem porque te quero bem
e vão dizer que vou em vão,
mas vou com alma
em síntese
não sei resumir

vou,
mas continuo
vivo
na sua memória
embora
vá
embora
embora longe, embora torto, embora triste, embora morto, embora fraco e tão covarde
e sem saída
a cem por hora
por ora é só
agora a pouco
por pouco o fim
retornei

ando pensando, penso andando vou com calma
e vão dizer que vou em vão, mas vou com alma

em síntese
não sei resumir

domingo, 6 de março de 2011

o amor é maior que a morte

"Aqui é festa, amor/ E há tristeza em minha vida." Esses versos, desabafados por Otto, carregam doses cavalares de sofrimento, de conflito, em um disco que serve como reflexão sobre a vida e, conseqüentemente, sobre a perda. Viver é perder. É se perder. Todo momento. Quero, hoje, falar sobre a vida. Eis uma missão que sei, de antemão, impossível em sua totalidade. Porém me lanço nesse desafio, de tecer tais impressões, pois semana passada estive em um velório inesperado – da mãe de um grande amigo meu. Inesperado, pois ela foi vítima de um atropelamento na Avenida Goiás. Eu poderia escrever sobre o trânsito violento de Goiânia como causa de mortes absurdas; mas deixo esse tema de lado, por ora. Prefiro falar da vida e sua beleza e suas rasteiras. Uns festejam a vida e outros choram. Neste feriado de carnaval, enquanto o Brasil festeja, tenho um amigo em luto. Fico triste ao vê-lo triste. Triste ao ver-me impotente em um momento sem palavra que preencha o vazio. Triste ao lembrar. Lembro.

Todo velório é sempre um momento para pensar na vida. É na vida que todos pensamos diante de um caixão. Na despedida, não pensamos no ente querido enquanto matéria, mas enquanto memória viva. Viver é perder? Não. Viver é ganhar. Ganhar, dia a dia, em experiência, em sabedoria, com as próprias perdas. Todo velório é sempre um momento para pensar nessa reviravolta que a vida é, com seus imprevistos – alguns agradáveis, outros desesperadores. Minha mãe diz: “para morrer, basta estar vivo”. E nós, aqui, nessa corda bamba que é o mundo dos vivos, vemos um filme passando em nossas mentes. Fico triste ao lembrar. Também sorrio ao lembrar de detalhes, de pequenas situações vivenciadas. E lembro-me de outros velórios. Cada um carrega dentro de si o seu velório fundamental (aquele que constitui a pessoa, aquele que faz parte do seu repertório de experiências). O meu, por exemplo, é o do meu pai. Aonde vou levo o velório do meu pai comigo. Meu pai foi, mas deixou uma lembrança maior, de amor. Lembrei-me dele, quinta passada, quando caminhávamos para o jazigo e algumas pessoas cantavam baixinho uma linda melodia:

“O amor é maior que a morte”.

O amor é a mensagem que a Flávia (mãe do meu amigo, e companheiro no mundo da música, Gabriel Cruz) nos deixa. Mensagem transmitida por suas atitudes de mãe que lutava com garra por seus filhos, que irradiava luz, que tinha uma palavra de incentivo para aqueles que brigam por seus sonhos. Viver é ganhar, é vencer. O vencedor é aquele que “vence a dor”. Paulo está certo: “quando estou fraco é que sou forte”. Eu sou “nuvem passageira”, mas fica a lembrança, a mensagem de luta. Sei que sou um “ser para a morte” e, justamente, por saber que “o amanhã, na verdade, não há”... faço-me “ser para a vida”... “só nos resta viver”. Viver e perder e ganhar e gastar e grilar e amar. E odiar também, pois, não sei quem disse, o contrário do amor não é o ódio, é a indiferença. Então, sem meio termo, acima de tudo: amar. Não interessa se sou ateu ou religioso, o que importa é a minha capacidade de amar. “O amor, maior que a morte.”

[publicado no jornal Diário da Manhã]

comunicado: sobre nossos shows em sampa

Conforme já informei,
as apresentações do Diego e O Sindicato no estado de São Paulo, nesse início de mês,
foram canceladas, em decorrência
do estado de saúde da mãe do nosso percussionista
(Gabriel Cruz).
Ela, infelizmente, faleceu na última quarta-feira.

Peço, àqueles que acompanham a trajetória da banda,
o envio de pensamentos positivos
para que possamos continuar a luta,
com a perseverança que nos caracteriza.

Assim que tiver a informação da nova data
de nossa apresentação no Rumos Itaú,
e de outras datas de shows,
postarei aqui.

Forte abraço!
Dieguito
Gabriel Cruz (nosso companheiro de guerra)

domingo, 27 de fevereiro de 2011

HOT DOG LATINO

Minha “muié” me disse outro dia dum fato ocorrido nos idos de mil novecentos e bolinha: Roberto Carlos teria dito que “Goiânia é uma roça asfaltada”. Segundo boatos, o rei disse isso pois teria sido surpreendido por eqüinos no centro da nossa capital. Desse possível comentário infeliz, me lembrei dos brilhantes versos de Juraildes da Cruz no hino Nóis é Jeca Mais É Jóia: “Andam dizendo que nois é butina/ que nossa onda é andar a cavalo”...
Deixando o boato de lado, vamos ao fato. Juraildes é um gênio. Pela via da ironia, responde aos que “andam falando que nosso rock é dançar catira”. Em 2008, eu e meu parceiro Fernando Simplista, tivemos o privilégio de dividir o palco com esse mestre, no Goiânia Canto de Ouro, grande evento que possibilita o encontro musical de vários “frutos da terra”. Eu, “frito da terra”, fico feliz ao ver que o cancioneiro produzido em Goiás vai além do som dos filhos de Francisco que mexe com a minha cabeça e me deixa assim. É o amor!
E não é de ver que Juraildes, no ano que foi, foi ao Teatro Municipal do Rio de Janeiro, onde estava Zezé e outros nomes do quilate de Caetano Veloso (só os que “late”!), por ter sido indicado ao 21º Prêmio de Música Brasileira? A surpresa do mestre Jura foi ser contemplado como melhor cantor na categoria “voto popular”. Ao receber o prêmio das mãos do violonista ins-pirado Yamandu Costa, disse com seu jeito de matuto astuto: “Jabuti não sobe em pau, ou foi enchente ou mão de gente”. Os dedos dos internautas o colocaram lá e você pode assistir no site dele (http://www.juraildesdacruz.com.br/). “Tiro bicho de pé com canivete, mas já tô na internet...”
Com impressão digital no som de seu violão e letras espirituosas, Juraildes usa de ritmos tradicionais para falar de temas atuais. Mais que um folclorista, um criador. A grandeza do artista está na sua singularidade. Esse compositor de Aurora do Tocantins, que mora em Goiânia há anos, em 2000, foi classificado no projeto "Rumos Musicais" do Banco Itaú, para representar o Centro-Oeste.
Falando nisso, essa semana estarei em São Paulo, com minha banda (O Sindicato), para gravarmos nesse mesmo projeto Rumos, que mapeia o que acontece no rico caldeirão cultural brasileiro. Foi uma inesperada surpresa saber que, entre os jurados, estava o excelentíssimo senhor Jards Macalé! Só de saber que ele ouviu uma parte de "parte de nós", já afinei no coro dos descontentes! Logo eu, um simples “hot dog latino” (expressão tirada de uma das pérolas musicais de Juraildes), que só "queria pão, mussarela e presunto" (tirada de uma das minhas humildes pedrinhas de granizo)... estarei lá, levando um pouco daqui... reafirmando que: “nóis é jeca, mais é jóia”.


(publicado no jornal Diário da Manhã)

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

"a passeio" por uberlândia e... Enzo e O Sindicato!

saca o vídeo,

feito pelo pessoal do GOMA TV,

cobrindo a Noite Fora do Eixo

no dia 27 de janeiro

com nóis do @diegoesindicato ("a caminho"...),

no Vinil Cultura Bar (Uberlândia)...

show "show" que contou com a participação mais que especial

do brother ENZO BANZO,

ó: