terça-feira, 11 de janeiro de 2011

AMIGO na coletânea global "Music Alliance Pact"

A música "Amigo" continua me rendendo boas surpresas!
Dias atrás, eu estava "viajando" pela net e, de repente, descubro que,
no mês de dezembro,
ela foi indicada pelo site @meiodesligado
para integrar a coletânea global "Music Alliance Pact" (MAP), ó:
Foi aí que a ficha caiu: a matéria do jornal inglês The Guardian, foi referente à essa coletânea aí!
Massa, né?

Vi, também, que esta notícia foi divulgada em Buenos Aires, Argentina, pelo blog @zonaindie que é o representante lá desta coletânea (...


...) sobre a música, diz o site:




domingo, 9 de janeiro de 2011

Para uma dose de pretensão no seu dia

Dia desses um camarada me chamou de “pretensioso”. Eu logo respondi: “Poxa vida! Obrigado pelo elogio!” Ele ficou com uma cara de tacho, sem entender porque, naquele momento, achei o adjetivo “pretensioso” um grande elogio, que alegrava aquele dia, que trazia vida àquela tarde sem graça, que me entusiasmava a continuar existindo neste “mundo imundo”, que me fazia cócegas no ego e me estimulava, com ternura, a sorrir candidamente daquela situação.

O sujeito simplesmente não entendeu minha reação inusitada. Ele queria que eu visse o tal adjetivo pela ótica do sonso comum, como um sinal de falha em meu caráter, um defeito a ser consertado, um pecado em praça pública, uma característica a ser extirpada do fundo da alma, uma ofensa à moral e aos bons costumes, um problema na sociedade, uma futilidade na cidade, um gesto obsceno no meio da civilização. O cara, com certeza, pensava diferente de mim. E eu, humildemente, pretendi ali expor meus argumentos pra elevar a “pretensão” a uma bela virtude em nossa cena de país emergente na conjuntura apocalíptica mundial, enfim, nesse nosso contexto de nação que tenta, dia a dia, botar por terra o que Nelson Rodrigues chamava de “complexo de vira-lata”.

Pensa comigo. Já sou pobre, fudido, lascado, desnutrido, subdesenvolvido, subordinado, subestimado, fedido, um coitado qualquer, feio, narigudo, sem pai, com mãe viúva, roqueiro no sertão, caipira no rock, jovem saudosista já cansado da vida, cara sem saída, poeta trágico, idiota, verme, iconoclasta, insignificante, racionalista na era pós-moderna, Macunaíma filosofando de sunga, professor da rede estadual, latino-americano, brasileiro de estatura mediana, no “Goiais”, no Senador Canedo... ainda queria que eu fosse mais um conformado, sem projetos? Aí seria muita desgraça prum indivíduo só, sô!

Desculpa. É que não consigo me conformar com a apologia distorcida da humildade, como se o humilde fosse o que se faz de coitado, aceita a própria miséria, passivo, resignado, abaixando a cabeça ao dizer “sim, sinhor”. Vi aqui que a palavra “humildade vem do latim humus que significa ‘filhos da terra’ e se refere à qualidade daqueles que não tentam se projetar sobre as outras pessoas, nem mostrar ser superior a elas”. Uma coisa é o cara não tentar se mostrar superior aos outros. Outra é, equivocadamente, achar que o sujeito humilde é o que aceita e se sujeita à situação. Então, mantenha a cordialidade e o respeito na idéia de humildade e arranque fora a “passividade” desse conceito!

Insisto: uma dosezinha de pretensão não faz mal. Só uma dosezinha. Aqui no meu dicionário diz: “pretensioso é quem possui pretensão ou vaidade”. E “pretensão é o resultado de pretender; exigência; presunção; excessiva vaidade”. Então fica a dica: pegue esse conceito, tire o excesso de prepotência e de vaidade fútil (mas deixe um pouquinho desse pecado capital, pra você conseguir levantar da cama) e mantenha a idéia de “resultado de pretender”. O filósofo Álvaro Vieira Pinto (abordando o conceito de nação enquanto projeto) falava do sentido literal da palavra “pretender”, como “pré-tender”, “tender antecipado” para um estado real, e não no sentido imaginário de pretender, na acepção de querer passar por aquilo que não é.

É isso. Assim, concluo: se eu não tivesse o mínimo de pretensão, pra manter minha cabeça em pé, sustentada por essas canelas fininhas... aí sim, estaria, realmente, fudido. Sei que nada sou sem a vontade de ser. Amém!






terça-feira, 4 de janeiro de 2011

HOJE: Festa "CULTURA 2011 - PRIORIDADE EM GOIÁS" !!!



HOJE!!!!!

Festa: "CULTURA 2011 - PRIORIDADE EM GOIÁS!"

Local: Metrópolis (Avenida 83, Nº 372, Setor Sul, Goiânia)


Discotecagem: Fabrício Nobre + Johnny Suxxx + Michael Night

Shows: Black Drawing Chalks + Diego de Moraes (solo)

Entrada Franca!


Lotação da casa: 200 pessoas.
Para entrada vc deve confirmar seu nome pelo email: eventos@monstrodiscos.com.br


domingo, 2 de janeiro de 2011

Por um ano novo de “grandes erros”!

[texto de hoje, no jornal Diário da Manhã:]



O “ano que vem” já veio. Então você está lendo no “ano novo” isto que escrevi no semana passada, no “ano velho”. Pela convenção do calendário cristão estamos, assim, separados no tempo: eu (nesta madrugada de 2010) e você (aí, já no “ano que vem”).

Bom. O esperado de todo cronista, hoje, é uma reflexão sobre o ano que se inicia. Tudo bem. Só que não quero dar tapinhas nas suas costas e dizer: “Tudo de bom neste ano... saúde e paz, o resto a gente corre atrás... felicidade, dinheiro, harmonia, sucesso etc e algo mais.”. Isso todo mundo já faz, correto? Logo, parece-me desnecessário encher esta coluna com letrinhas otimistas – embora, do fundo do meu coraçãozinho tosco, eu só deseje coisas boas aos meus queridos leitores, pacientes com meu pensamento atravessado, neste espaço dominical. Se não quero simplesmente circular em torno da expressão “feliz ano novo”; o que quero, então?

Desejo falar que desejo um ano de desejos (a frase ficou péssima? Sim. Mas a idéia é boa. “Desejo um ano de desejos”). Um ano de “vontade de vontade” (outra idéia infame; mas, até que dá pra salvar, parafraseando a idéia nietzschena de “vontade de potência”) de busca, de vida ávida por auto-superação. Oposto da felicidade sossegada da “poltrona do dia de domingo”. Um ano de luta por projetos, de lançar-se em apostas, de tentativas... e, enfim, de erros, de fracassos brilhantes.

Tentar é se sujeitar ao erro. Aí chego no assunto que queria: a virtude do erro. Foi tropeçando que aprendi a andar; caindo que aprendi a pedalar; quebrando a cara que o cara se tornou o cara. Logo, a vida, a arte, a ciência, a história... dependem do erro. Do erro que desafia o consenso unânime. Então erre! E, já que é pra errar, erre direito. Se agrade; se orgulhe. Erre com vontade. Erre grande. Não perca tempo com pequeninos errinhos inofensivos, pecadinhos pueris, tentativas medíocres. Se é pra errar, erre pra valer. Opa! Não! Peraí! Nenhuma ação criminosa, por favor! Também não tô te incentivando a trair a patroa ou o maridão! Pondere! Falo de tentativas não-convencionais, fora do senso comum, predispostas à possíveis insucessos. Não sou o Marquês de Sade, pelamôrdideus! Sou só um mísero cronistazinho de meia tijela cheio de boas intenções na alma dizendo: “Tente”,“Erre”... Erre aquele tipo de erro pra você, no futuro, olhar pra trás e dizer: “É... faria tudo de novo”. Erre pra ter o que contar pros seus netos (pros netos, pois pros filhos tem que dar o bom exemplo moral. Senão vira bagunça). Itamar Assumpção já cantava: “quem não vive tem medo da morte”, “fui me corrigir...errei”. É por aí. O grande erro mesmo é ficar aí afinando o coro contente e fascista dos hipócritas, corretos politicamente.

E se, no fim, a tentativa realmente se transmutar em equívoco, lembre-se da oração do grande Gandhi: “Senhor, se não me deres o êxito, dá-me forças para aprender com o fracasso”. Ele sabia que “o fracasso é a experiência que precede ao triunfo”. Gosto dessa frase e gosto mais ainda da idéia, sem auto-piedade, do Samuel Beckett: “Fracassa. Não importa. Tenta outra vez. Fracassa de novo. Fracassa melhor.”

Todos meus sucessos na vida são resultados dos meus melhores erros. “Eu devia ter errado mais” e, assim, acertado mais. Devia ter tentado mais; mas a tradição ocidental sempre podava minhas tentações. Talvez o momento seja esse. Expectativas se renovam com a simples mudança da folhinha do calendário. Ano novo, vida nova. Ai, eu não me seguro... “Feliz ano novo, meus queridos!”

sábado, 1 de janeiro de 2011

receita de ano novo (drummond)


Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)


Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.


Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.



Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

múltiplos comuns

na brisa,

li camus

sem cami-

sa


eu era um

estranho estrangeiro

ali no litoral,

sem dinheiro.


ali

no

lit

oral,

aline in

venta

e desfolha a poesia.


ali

na

brisa

aline é uma brasa,

mora? na filosofia


pra quê

rio,

mar,

amor

e dor?



######


[começou daqui:

"youtube tupy: pequi em Pequim

youtube tupy: caqui com Camus"


de twitts de

diego de moraes campos (D D M C)

&

marcos mendes caiado (M M C): @marcoscaiado

( http://www.marcoscaiado.blogger.com.br/ )


quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Deu no "The Guardian"!


O presente que a vida me deu neste fim de ano

foi minha música "Amigo"

ter entrado na lista de melhores de dezembro através do mundo

do jornal de Londres "The Guardian":

http://goianiarocknews.blogspot.com/2010/12/culture-music-new-music-badge-music.html

Aqui o link do The Guardian:

http://www.guardian.co.uk/music/musicblog/2010/dec/15/dec...



Nunca pensei que esta canção
que fiz nesse quarto, aqui no Canedão, fosse ter essa repercussão...

É desta música que saiu o título "PARTE DE NÓS" do cd do Diego e O Sindicato.

Muito obrigado à banda,
à todos que acompanham e dão força
e até às críticas, pois elas fazem parte do processo!


É nóis!

Abração!



domingo, 26 de dezembro de 2010

“Não sei porque eu tô tão feliz”


O Papai Noel da Coca-Cola não trouxe a felicidade (como vimos na minha crônica da semana passada sobre o suicida Assis Valente). Então, aproveito a áurea de ressaca do dia de hoje para falar sobre a felicidade, a partir da canção mais engraçada, mais melancólica e mais irônica sobre este tema. A música “Felicidade” [feliz achado do professor-compositor Luiz Tatit, gênio da palavra (cantada, escrita e falada)] é ideal (real) pra se ouvir em momentos de reflexão. Querido leitor ou leitora, não quero estragar os resquícios de sua festança natalina, só quero lhe convidar para rir comigo de nossa tragédia humana, nestes dias em que a cabeça gira entre o ano que se finda e o ano anunciado. Antes de continuar a leitura... vá lá no youtube, digite: “Luiz Tatit, Felicidade” (ou procure o lindo cd com esta faixa-título) e ouça com atenção, sem moderação, esta pérola patético-poética.

Pronto? Já fez o sugerido? Agora, podemos prosseguir na prosa. É provável que você esteja folheando o jornal, aí agora, na casa da sogra – ou do genro, ou do filho, ou do pai, ou na sua própria residência, ou de um amigo qualquer – neste dia de Falso Silva. Não importa. O que importa é que muitos devem se reunir com seu clã, no almoço deste domingo feliz pós-ceia. Torço para que esteja tudo certo por aí. Sem aquelas discussões bestas de família; sem farpas no ar; sem aquela hipocrisia comum de fim de ano; sem um presente indesejado de amigo-secreto; sem nenhum coma alcoólico e sem morte na estrada. Sem nenhum desses itens previsíveis, enquanto fenômenos sociais, nesse período. Votos de felicidade. Tomara que sua família seja a exceção para confirmar a regra. E, assim, enfim, tomara que aí ocorram, realmente, “boas” festas!

Mas, se porventura, apesar da “noite feliz”, no fim deste último domingo de 2010 (um ano nem tão nota 10 assim), bater uma melancolia (visto que fim de domingo é, normalmente, entristecedor)... lembre-se de outra canção (daquele sucesso na voz de Odair José):“Felicidade não existe/ O que existe na vida são momentos felizes”. É isso. Nietzsche completaria: “O homem que não consegue se colocar no limiar do instante, não saberá o que é a felicidade”. Devo, portanto, me contentar com o fato da utopia da felicidade plena ser uma besteira e saber que só se pode “estar” feliz. Acontece que, mesmo no “limiar do instante”, no meio da festa, pode bater o sentimento de solidão e a consciência da ausência. Na solidão, o eu - lírico da canção “Felicidade” faz ainda mais sentido. É o momento reflexivo sobre (se há) os motivos de fato para a tal da felicidade... “A busca de uma razão me deu dor de cabeça, acabou comigo”...

Esta música cômica e trágica do Tatit é uma composição perfeita a partir de uma situação de imperfeição, ironizada na contradição entre a poderosa letra, “feliz”, e a melodia triste, entoada pela vozinha frágil. Cada palavra, uma paulada. Cada rima, no lugar certo. Cada acorde, tijolo de uma atmosfera intrincada. Cada frase, sentido exato no todo do texto. Quem nunca esteve feliz para esconder, no fundo, uma infelicidade? Por mim, “Felicidade” poderia ser um hino nacional alternativo – desse país cansado de ser o “país do futuro”, cheio de gente “sem dinheiro, sem comida e feliz da vida” e com muitos frustrados pensando: “Não sei o que que foi que eu fiz pra merecer estar radiante de felicidade/ Mais fácil ver o que eu não fiz, fiz muito pouca coisa aqui pra minha idade/ Não me dediquei a nada/ Tudo eu fiz pela metade/ Por que então tanta felicidade?”

Que venha a felicidade, no ano que vem! E, de novo, “feliz ano novo”...


[ publicado no jornal Diário da Manhã ]

domingo, 19 de dezembro de 2010

O suicídio de Assis Valente e o Papai Noel da Coca-Cola


“Anoiteceu. O sino gemeu. A gente ficou feliz a rezar. Papai Noel vê se você tem a felicidade pra você me dar. Eu pensei que todo mundo fosse filho de Papai Noel. Bem assim felicidade, eu pensei que fosse uma brincadeira de papel. Já faz tempo que pedi, mas o meu Papai Noel não vem. Com certeza já morreu ou então felicidade é brinquedo que não tem.”

Estes versos melancólicos, do clássico Boas Festas, fazem parte do imaginário popular brasileiro. Parece folclore, nem parece fruto da imaginação de um compositor. Assis Valente compôs este hino no Natal de 1932, quando morava em Icaraí (Niterói), longe de sua família. No quarto, em um momento de profunda tristeza, veio a inspiração, ao ver na parede um quadro de uma menina dormindo com um sapatinho ao lado. Ali, na solidão, ele imaginava a cena contraditória: pessoas “felizes a rezar”, junto com a súplica pela felicidade. Era a contradição de Assis Valente, entre a piada e a depressão: homossexual em uma sociedade machista, negro em um país racista, ia “cantando, fingindo alegria”. Boas Festas, gravada em 1933, por Carlos Galhardo, com o acompanhamento dos Diabos do Céu – conjunto de Pixinguinha –, além de se tornar um grande sucesso popular, também revelava aquele talento, que depois diria: “Papai Noel não tinha vindo, mas eu havia ganho um presente: a melhor de minhas composições”.

Após o sucesso desta música, Assis Valente passa a ser reconhecido como um brilhante cronista de sua época, retratando o cenário carioca de crescimento urbano, através de suas canções. Valorizando a cultura nacional (como em Brasil Pandeiro), experimentou a fama nos anos 30 e 40, quando foi procurado por vários cantores. A vida boêmia do Rio de Janeiro inspiraria muitas de suas músicas marcadas pela crítica social bem humorada – como Camisa Listrada (sucesso na voz de Carmen Miranda). Amigos, bebida, fama... “Salve o prazer!”

Mas ele sabia que nem todos são filhos de Papai Noel. A lenda do bispo São Nicolau (o bom velhinho que deixava um saquinho com moedas para os pobres) tinha sido, em 1931 (um ano antes de Boas Festas), usada em uma campanha publicitária, que também marcou o imaginário popular. Era a campanha natalina da Coca-Cola, que se utilizava da imagem do velhinho caridoso (criada por um cartunista alemão do século XIX) para espalhar pelo mundo o vermelho da empresa e um modo de vida. Este Papai Noel (bem definido pela banda punk Garotos Podres, como “porco capitalista que presenteia os ricos e cospe nos pobres”) não podia trazer a felicidade para Assis Valente.

Desiludido com o Papai Noel (que “com certeza já morreu”), a partir de 1940, Assis assistia a queda do sucesso e a depressão se agravar. Em uma de suas tentativas de suicídio, se jogou do Corcovado; mas foi salvo pelos bombeiros, que tiraram-lhe de uma árvore. Nos anos 50, torna-se uma figura praticamente esquecida. Angustiado e solitário, protagonizava uma vida repleta de ironias e ambigüidades. Valente, aquele que cuidava de sorrisos em um laboratório de prótese dentária; que foi comediante de circo na infância; que fez tanta gente rir com seus sambas engraçados; que compôs a nossa trilha sonora da ceia de 25 de dezembro... decidia por dar o fim em sua própria vida. O ano era 1958, o “ano da bossa nova” (ritmo que embalava a esperança dos tempos JK). Assis Valente se matava, ingerindo formicida com guaraná, no fim da tarde de 10 de março daquele ano. O Papai Noel da Coca-Cola não trouxe a felicidade.


[ publicado no jornal Diário da Manhã ]

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Pó de Ser no Violada (1º Festival de Música Caipira e Rock Rural de Goiânia)!!!

Ó que flyer bunitão:



Cê já tá sabendo do Violada, que vai rolar nesta quinta e sexta? Não?
Quinta, na Taberna do Ogro
e sexta no Goiânia Ouro.
Vai ser timbre do bão!

Saque a programação da sexta, dia 17
18h:

Avaré e Jataí
Space Truck
Domá da Conceição
Os Cara e
Pó de Ser


Ingresso: 5 reais.

Acessem: www.violada.org
O festival é organizado pela Mosaico e Só-Ré Produções


Simbóra moçada!

domingo, 12 de dezembro de 2010

Waldi & Redson: “um tornado em minha vida”

Estrada Goiânia-Uberlândia, 04 de dezembro, sol rachando, caminho para o sucesso.

João Dinheiro no volante e no banco de trás, Waldi e Miguel Navalha, preocupados se chegariam a tempo para uma entrevista na TV de Uberlândia, na hora do almoço. João pisava no acelerador, atravessava o Rio Paranaíba e se sentia numa cena do filme “Estrada da Vida”.

Chegaram. Waldi, bandoleiro do Canedo, se encontrou com o violeiro da Babilônia, Redson, seu parceiro de modas e chateações. Aqueceram o gógó com uma pequena dose de cachaça e foram para o complexo global de Berlândia (MGTV). Como o estúdio só suportava 3 integrantes mais a apresentadora e os câmeras, o baixista João Dinheiro foi tirar um cochilo na casa da senhora sua mãe.

Antes de começar a entrevista, a apresentadora queria entender o que era a dupla – se era rock ou sertanejo universitário. Não era nem uma coisa, nem outra. Eram dois discípulos junkies de Léo Canhoto e Robertinho, tocando a verdade doída de suas vidas, nos acordes de suas canções rancheiras. Chegaram a proibir Waldi de aparecer com seus óculos escuros, pois consideravam isso um desrespeito com o telespectador. Nem que ele fosse o Waldik Soriano ou o Zé Rico! Logo, a dupla entenderia que a jornalista não entendeu, quando fez a chamada: “banda de rock com nome de dupla sertaneja”. Tudo bem. O que importava era mostrar a sonzeira para os corações apaixonados das redondezas. Tocaram um trecho de “Trêta Timbrêra”, clássico que conta um pouco da história da dupla.

Da TV foram para uma tarde de autógrafos pelas padarias, botecos e esquinas da cidade. Depois de uma noite de festança, graças aos seus 15 minutos de fama, dormiram sonhando com o show que os consagrariam na tarde do domingo seguinte. Após acordarem, comeram pão de queijo mineiro, trazido de Araguari pelo empresário Luciano Aparecido e partiram para o ensaio dominical, com seus grandes sucessos: “FOB (Fura Olho de Brother)”, “Boi Araújo”, “Minha florzona” e outras pérolas que podem ser escutadas em: www.myspace.com/waldieredson .

No hotel, Waldi & Redson e banda, foram surpreendidos, novamente, por fãs enlouquecidas para tirarem, pelo menos, uma foto. Atenderam gentilmente a todas, entraram na vanzinha e vazaram para a praça onde aconteceria, logo mais, o esperado show. Pelo vidro da van, o baterista Barrabás percebeu a aglomeração de pessoas em torno do palco, gritando: “Ah... Minha Vida Empanzinada”. Miguel Navalha coçou a barba e pensou: “É... vai timbrar!”.

A um passo de alcançarem o auge do sucesso, após subirem os degraus do palco, prestes ao início do espetáculo... um forte vento refresca os cangotes suados dos nossos heróis. Miguel Navalha diz: “timbrô!”. E o céu diz: “TIBRUM!!!”. E não é que timbrou, trovejou e encharcou? Depois dos 15 minutos de fama, era a hora dos minutos de LAMA. Em 2 segundos Waldi estava totalmente molhado. Redson tentava proteger sua viola, seus dreads, sua escaleta, sua guitara e... principalmente, sua vida. A bateria de Barrabás era arrastada pelo vento. João Dinheiro, apedrejado pelos granizos, via muitos da platéia subirem no palco, tentando se salvar. Enquanto Miguel Navalha assistia, de camarote, seus investimentos musicais indo para o ralo. A luta pela sobrevivência no olho do furacão! A impotência humana diante do show da natureza! Era água, vento e granizo que não acabava mais! A água da chuva se misturava às lágrimas da dupla e de seu público! Catástrofe! Cataclisma! Absurdo! Inacreditável! Onde estaria a Arca de Noé? Seria o Apocalipse?

De repente, tudo vai se acalmando aos poucos e Waldi começa a rir, sem entender e sem saber que os equipamentos estavam praticamente arruinados. Ruína! O show da natureza, arrasando quarteirões, com participação do Tony Tornado (batizado por Danislau), havia destruído o sonho (de fama, dinheiro e mulheres) dos dois meninos do Ranchinho dos Ipês. Se secando, a dupla olhou para o horizonte cinza, ergueu a cabeça e prometeu voltar àquela cidade em um dia lindo de sol, para tocar os sucessos prometidos aos vivos na TV.

Estrada Uberlândia-Goiânia, 05 de dezembro, noite alta, vida empanzinada.


[publicado no jornal Diário da Manhã]

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Waldi & Redson + Tony Tornado

Waldi & Redson + Tony Tornado
documentado por nosso brother/ídolo @danislau:

clique na imagem

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Pó de Ser no lançamento da RADIO GRAFIA (11/12)!

Altas bandas no lançamento da coletânea RADIO GRAFIA!
Inclusive, o Pó de Ser
(que faz uma "música dodeCAFONA")...
saque um pouco desse universo em: www.myspace.com/podeser

Vamos no "Recanto dos Ipês" no sabadão, então?
Igressos comigo no meu email: diegoleigo@gmail.com



Vídeo de divulgação:

domingo, 5 de dezembro de 2010

Hoje é dia de ouvir John Lennon (Parte 2 )


Na próxima quarta-feira completa 30 anos que Lennon vive em sua obra. Vai o homem e fica o nome. A obra é o que sobra.Vem a morte e fica a arte. John ONO Lennon vive.

Já escrevi sobre John aqui neste espaço, no dia do show do Paul. Decidi falar novamente, mais um pouquinho, desse tema inesgotável. Olhando a capa do clássico disco Plastic Ono Band (que uso como imagem de fundo na área de trabalho do meu computador) vejo uma bela foto de John, no colo de Yoko, embaixo de uma grande árvore. Foto confortante para um disco desconcertante. Impactante.

Esse disco, altamente confessional, completa 40 anos de aniversário. Uma obra de arte maior, por ser totalmente pessoal e ainda revelar angústias de uma época, por ser datado e manter a atualidade com o passar do tempo, por ser um homem e o mundo, simultaneamente. O disco começa com a psicanalítica Mother (que acaba, com gritos primais, implorando: “mamãe não se vá, papai volte para casa”) e conclue com: “mamãe está morta”. Constituído por várias pérolas, traz vários lados (embora, fisicamente, só tenha dois) e, mesmo assim, ainda mantém uma unidade conceitual: do lado político-irônico de Working Class Hero, passando pela singela-romântica Love e chegando na polêmica-emblemática God.

Na minha cabeça, os anos 70 nascem com a canção God (ao lado de Won’t Get Fooled Again, do The Who), com toda a sua carga de desilusão. Em sua lista iconoclasta, John sentencia: “não acredito nos Beatles”. Naquele momento, ele só acreditava nele (aliás nele e na Yoko). Em God todos os mitos vão por água abaixo. Em God é lançada uma provocação que até hoje angustia: “O sonho acabou”.

Porém, como meu avô sempre dizia: “o homem nasce, cresce, reproduz, pára de sonhar, entristece e morre”. Logo o decreto do “fim das utopias” não pode ser definitivo, pois uma das maiores características do humano é ser um ser-em-projeto, ou seja, um ser que sempre se lança para além de si, na dimensão do futuro, a partir de sua circunstância. O próprio John, depois de God, legaria ao mundo a utópica Imagine – com seu pacifismo altamente subversivo. “Imagine um mundo sem religiões” é uma frase que permanece polêmica. E o convite a imaginar um outro mundo merece sempre ser lançado no ar.

Mas, voltando à God, é bom sublinhar que o compositor brasileiro Taiguara (uma das grandes vítimas da ditadura), em 1972, discordava de John. No disco “Taiguara, piano e viola”, o lado 1 começava com a faixa Teu Sonho Não Acabou. E terminava esse mesmo lado com a bela canção Rua dos Ingleses, em que há uma explícita briga com God. Em defesa de Deus, cantava Taiguara: “Deus NÃO é um conceito com o qual medimos a nossa dor”. Mas, lembremos da mensagem do apóstolo Paulo: “Quando eu sou fraco é que eu sou forte”...

Quando lançava o Plastic Ono Band, o palhaço-chateado John Lennon (...


...) disse, na antológica entrevista que deu para Jann S. Wenner da revista Rolling Stone, em 1971, que sempre escreveu sobre ele mesmo. In My Life, I’m a Loser, Help e Strawberry Fields eram gravações totalmente pessoais, biográficas. Na sua singularidade o homem John Ono Lennon, universalizava o pedido de “socorro” de muitos homens. E mulheres também, ao cantar que “a mulher é o escravo do mundo”. O “working classe hero” John Lennon cuspia no mundo que o evidenciava enquanto artista, com a sua arte, levando suas próprias contradições ao extremo, consciente de que a obra é o que sobra.

Hoje é dia de colocar a música de John Lennon para tocar na vitrola. E, mesmo que o sonho tenha acabado, uma coisa é fato: o som continua aí...



(publicado no jornal Diário da Manhã)

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Waldi & Redson em Uberlândia! Arte na Praça especial UdiRock !


No domingão
tem nóis do Waldi & Redson ( www.myspace.com/waldieredson )
em Berlândia!
Bão dimais da conta, sô!

Arte na Praça especial UdiRock ( http://udirock.blogspot.com/ )!